A carreira de Internacionalista no Brasil

Quando cursamos Relações Internacionais, somos indagados com as seguintes perguntas: onde um Internacionalista pode trabalhar? É tipo Comércio Exterior?

Você deve falar muitos idiomas, né? Você vai viajar muito…! Que chique!

Muitos destes questionamentos devem-se ao fato de ser uma área que ainda luta para se consolidar no Brasil. O primeiro curso de graduação em RI foi criado em 1974 na Universidade de Brasília, tendo depois expandido para outras universidades públicas e privadas.

É, portanto, uma área relativamente nova, quando comparada com carreiras mais “tradicionais” da área de Ciências Humanas e Sociais, como Direito ou Economia.

O Internacionalista ou a internacionalista pode trabalhar nos âmbitos mais variados. No setor público, no setor privado, em universidades como pesquisador, em empresas multinacionais, no setor de serviços, bancário ou como diplomata, representando o governo brasileiro no exterior.

A atuação variada deste profissional reflete a formação interdisciplinar nas universidades.  Bebe-se de áreas variadas do conhecimento, entre elas Direito, Economia, História,  Ciências Sociais, Administração e até Estatística e Matemática. Se para alguns essa característica garante ao profissional conhecimento pouco profundo em temas específicos, para outros, esta é a maior contribuição da carreira: o Internacionalista apresenta senso crítico, visão global dos fenômenos sociais e capacidade de inserir-se em contextos variados e muitas vezes adversos, desempenhando papel de negociador.

Os cursos de Relações Internacionais no nosso país possuem focos distintos, apresentando uma carga maior ou menor de disciplinas voltadas para o segmento de negócios ou com carga mais “teórica”. Ainda assim, alguns delineamentos são comuns: política externa brasileira, história das relações internacionais, teoria das relações internacionais e direito internacional.

A possibilidade de viajar muito ou pouco vincula-se ao trabalho que o ou a internacionalista desempenhará. Normalmente, ela se origina de cargos em multinacionais, empregos no setor público ou mesmo como estudante de pós-graduação ou professor, com a participação em eventos e congressos científicos. Ainda assim, a viagem não é um desdobramento específico da carreira de RI, estando presente também em outras profissões.

Por último, apresenta-se como tendência que o Internacionalista fale mais de um idioma. Esta não é, contudo, um requisito apenas da nossa área, mas que hoje se coloca como parte da inserção dos profissionais das mais variadas áreas no mercado de trabalho.

Em RI, apresentam-se como idiomas complementares mais comuns o inglês, o espanhol e o francês. O alemão e o mandarim também são cada vez mais procurados, o segundo, justificado pela crescente participação da China na economia política internacional.

Assim, o leque é variado. A nós, formados, nos cabe a responsabilidade de contribuir para a consolidação da área no Brasil, assim como de utilizarmos a nossa especialidade no desenvolvimento do nosso país.

Se você é estudante do ensino médio e está em dúvida de qual carreira seguir na área de humanas, investigue e considere a possibilidade de ser um Internacionalista.

Marcela Franzoni

Mestra e doutoranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP e PUC-SP).Bolsista FAPESP e pesquisadora no Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI).Hoje, é Professora no curso de Relações Internacionais da Unesp (Franca), Assistente de Operações na E and A Idiomas e Contato para a ONU Rede Brasil do Pacto Global.

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