Inclusão digital e geração de sentido

Pode parecer óbvio, mas aí vai: inclusão digital não é dar computador nem oferecer banda larga a quem não tem acesso. A verdadeira inclusão começa pelo letramento, pelo aprendizado e capacitação. Inclusão digital é inclusão social, pois como todos bem sabemos hoje em dia não existe trabalho qualificado que não exija, de uma maneira ou de outra, intimidade com as tecnologias computacionais e suas múltiplas facetas.

O iletrado digital deixa de participar de grande parte da cultura moderna e não tem acesso a ferramentas que poderiam melhorar ou de alguma forma facilitar sua vida. Pior: não tem as ferramentas para ingressar no mercado de trabalho de maneira adequada. Para ele, o computador é uma caixa misteriosa e a nuvem uma nebulosa dimensão paralela. Para quem está de fora, a tecnologia causa receio, medo e angústia.

Inclusão digital é, portanto, inclusão social. As políticas públicas de inclusão digital necessariamente passam pelo letramento, ou pelo menos deveriam. A pessoa letrada é aquela que possui a capacidade de gerar sentido a partir da leitura de signos – independente do suporte ou do meio, que pode ser físico (o texto impresso em uma página de livro ou um quadro pintado por um artista em um museu) ou virtual (um arquivo de multimídia por exemplo). Assim, de nada adianta o acesso aos tais signos se eles não puderem ser entendidos. É o equivalente a entregar um texto a uma pessoa analfabeta.

Antes de tudo, deve-se aprender a pensar dentro da lógica cíbrida dos dias atuais, segundo a qual existimos simultaneamente online e offline.

Para aqueles que, como eu, nasceram em um mundo analógico onde a informação era recurso escasso e as escolhas limitadas pelas restrições impostas por barreiras físicas e tecnológicas, a linguagem digital não é algo natural e precisa ser aprendida “na marra”.

Como fomos educados e condicionados desde a infância com a leitura do texto de forma linear, da esquerda para a direita e de cima para baixo, temos certa dificuldade, ou pelo menos sentimos certo estranhamento quando nos deparamos com uma estrutura textual de hipertexto, em que não existe a limitação imposta pela linearidade. A leitura, interpretação e geração de sentido a partir de uma leitura fragmentada, não mais linear, é a base do letramento que possibilitará o pleno desenvolvimento do indivíduo e sua inclusão no atual cenário digital e social.

Pablo Caldas

Membro original da equipe E and A Idiomas, é graduado em Comunicação Social e possui MBA Executivo em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Atualmente é professor nos cursos de graduação e pós-graduação de Marketing na Universidade Ibirapuera, além de exercer o cargo de coordenador pedagógico na escola de pós-graduação Roberto Miranda Educação Corporativa. Possui mais de 15 anos de experiência tanto na área de marketing quanto de ensino de idiomas. Pablo foi educado, desde de jovem em escolas bilíngues. Hoje é professor de inglês da E and A Idiomas e Conselheiro Especial para o Diretor Executivo em Marketing.

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